Sinto que o que eu sinto você não possa sentir.
Meu bem, o que é esse seu sorriso quando não estou nele?
Pra que as frases iluminadas se é transparente?
O que são os mundos mágicos contidos no mundo banal
de meu café da manhã?
Quanto pesa um sonho abatido pelo despertar? Read the rest of this entry »
Mapa
Sombra
Chove.
Escureceu mais depressa do que em meu sonho. Nuvens avolumam-se no horizonte, deixando um rastro de água em seu caminho. Meu destino está à frente. Não posso parar, não devo recuar. Read the rest of this entry »
Ciclo
Ele tomou asco
pela dor,
o sangue sem corte
o sal sem lágrimas
aquelas rugas de
feiura
rugas de tristeza
mole,
quente,
e fria também.
.
E lábios secos
de amizade frígida.
.
Talvez seu
coração
exploda
.
agora.
Briga de casal
-Amor, olha pra mim. Precisamos ter uma conversa.
-U-hum.
-Sério, será que você não consegue largar essa televisão por dois minutos?
-Claro, claro, querido…
-Tsc!
-Ei! Por que você desligou?! Tava no meio da cena em que o Tarcísio ia se decidir entre a Dorinha ou a Fê!
-Você assiste quando passar no Vale a Pena ver de novo.
-Devolve o controle, vai?
-Não. Primeiro nossa conversa. Read the rest of this entry »
Filhote
Quando eu era criança, debruçava-me sobre uma folha branca de papel e observava os veios pálidos tornarem-se casas, árvores, três passarinhos num céu de grafite. Agosto ameno encurralava-me em sonhos, dando-lhes vida. Um risco de giz de cera e surgia um raio de sol sorridente que aquecia as tardes. Read the rest of this entry »
O epitáfio do amor livre e o nascimento da inveja
Agora que a torneira abriu não vejo meios de fechá-la. Por isso peço licença aos senhores para esvaziar o reservatório de sentimentos ruins que querem transbordar. Não vai ser bonito: desconheço quanto a pessoalidade e a dor estragam o profissionalismo de um texto. Agora, formulo apenas um sonoro “Foda-se” – que, embora nem tão sonoro, espero que chegue a vocês do mesmo jeito. Read the rest of this entry »
O palco das memórias
Jonas era um menino pálido e ressequido. Com olhos brilhantes e cabelos ralos como os de um idoso, ele estava preso à cama desde sempre. Apesar da maioria das crianças de sua idade dizer que seus músculos haviam sido colados para o lado de dentro dos ossos, o que o mantinha preso era a saúde de um frágil coração. Read the rest of this entry »
Normal
-Esse ônibus é o que vai para Botafogo, e não para a Urca, né? – Ela me perguntou enquanto atravessávamos a rua.
Menina estranha, considerei.
-Vai sim – respondi, pondo um pé na calçada. – Veja, estão mudando o destino do ônibus.
-Oh, sim. É porque preciso ir para a Urca.
Sua voz era lisa, sem claudicações. O passo era ágil, mas não efusivo. Nada em seu semblante era excessivamente esquisito ou fora do lugar. Porém, por algum motivo qualquer, eu enxergava algo de anormal naquela criatura.
Vou sair para ver o céu…
Lembra de quando você era criança e o mundo se transformava ao seu olhar? Uma poça de água virava oceano. Pedras soltas no meio-fio eram pontes. Aquela arvorezinha mirrada que foi plantada em frente ao seu prédio, numa média da prefeitura, ganhava cores vibrantes, tronco robusto e tornava-se portal para toda uma floresta encantada. Ou talvez, se seu espírito fosse do tipo aventureiro, você passasse tardes sendo…
